sexta-feira, 26 de abril de 2013

Atrozcidade


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domingo, 21 de abril de 2013

Prostitutas


 Em poucos meses, semanas, dias, já entendi toda a crônica da vida humana no capitalismo. E sei que é triste. Bem triste. Trabalhar, ter um dinheiro, ser escravo do mundo e da estética e da ética da massa, em troca de algumas moedas, um cartão de plástico, umas mínimas alegrias - cada vez mais fugazes e falsas -, tudo isso em troca de nossa VIDA.

          Eu e você, prostitutas do sistema, estamos perdendo nossas vidas, vendo dias e anos passarem a nossa frente, sem amor, sem oportunidade de sermos humanos, verdadeiros, reais. E isso apenas para podermos comer, sobreviver. Me sinto sufocado. Entediado. Quem pensa, e pensa muito como eu, deve mesmo sentir vontade de se matar, pelo menos umas três vezes por semana.

         Nada do que nesse mundo recebemos é compensador, pelo fato de que, o que estamos dando em troca - perdendo - é nosso tempo, nossa energia, nossa vida. Por coisas que não importam. Por mais dinheiro. Por um cargo superior. Por status. Por bens materiais. Por posições. Por poder. Por desrespeito. Por ganância. Por stress. Por mais trabalho. Por querermos passar por cima dos outros. Por desamor.

          Sim, porque POR AMOR É QUE NÃO É!

      Estou muito cansado de tudo isso, e acho que minha voz encontrará eco em muitos que, sinceramente, resolverem aqui se expor.

       Estamos perdendo nossas vidas, "correndo atrás" de coisas inúteis, deixando nossos sonhos, desejos, amores e vontades de lado - cada vez mais de lado -, em troca das esmolas do sistema. Lixo de vida. Merda de sociedade. Que alguém exploda tudo isso mesmo. Não aguento mais.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Artistas

     
    Parece que eu sempre soube que nada disso faria sentido. Sou um cara viciável. Eis que consumo a mim mesmo, em caracteres, megapixels, e maus caráteres. Dentre os quais sou apenas mais um, talvez até o mais hipócrita, o primogênito, o primeiro.

    Culpado de todo o meu ateísmo (até ele vacilante), e da completa falta de foco, minha amiga inseparável. Saímos sempre para jantar, eu e ela, como par atabalhoado. Noites sim, madrugadas não, podem-se ouvir risos sussurados ao nosso redor, aquela espécie de maledicência um tanto quanto furtiva, dita a canto de boca, sem que se possa determinar quem é o seu autor. Minha sina - a minha e de minha amiga Confusão - é ser vítima do escárnio social, sempre um tanto quanto rude, ainda que velado pela "misericórdia" de uma certa hipocrisia que se diz cristã.

   Certo é, porém, que não me encontro totalmente só e nem privilegiado por essa estranha condição, pois há por aí ao menos uma meia dúzia de amigos meus que sofrem o mesmo tormento.

    Chamamo-nos artistas, e, de fato, é isso que somos, em período integral, ainda que hipotequemos nossos sonhos, antes que nasçam os pores-do-sol. Ao badalar do sino de nossa Igreja, todos sabemos que é hora de nos consagrarmos, de devotarmos nossas vidas ao sacro ofício inteiro da Arte, tão logo nos dispamos da lida pelos meios de sobrevivência.

   Na vida dos grandes artistas, de grandes intelectuais e de pensadores, quase sempre há um período de vacas magras, e, muitas vezes, até de fome. Difícil conceber um van Gogh a passar necessidade, a sofrer por ter o estômago dolorosamente vazio. Mas isso ocorreu. Sabemos, porém, que nem só de pão vive o ser humano. Existir é mais. Para um artista, então, sempre é muito mais.

    Diante do fato de que nós, artistas, somos todos umas putas melancólicas, sempre meio embriagadas e recém-usadas, largadas ao canto de um bordel qualquer, podemos tomar consciência de nosso papel, do papel conservador ao qual todos nós seremos convidados a exercer, na pós-modernidade. Mas os artistas de verdade, autênticos, devem recusar tal carapuça, sob pena de, caso a ela sucumbam, tornarem-se caricaturas de si mesmos.

    Nisso que digo não há nada de novo, muito menos de peculiar à nossa tão esvaziada época. Pois sempre foi promíscua a relação entre artistas e pensadores, por um lado,  e detentores do poder, por outro.

   Michelângelo, Mozart, Maquiavel, Confúcio, Kant, Wagner, Voltaire - apenas para iniciar uma lista que seria imensa -, todos foram, uns mais, outros menos, alavancados ou sustentados por ricos e poderosos mecenas. Talvez porque seja mesmo muito difícil plantar e pescar de dia e, depois, criticar à noite, como queria Marx. O homem ominilateral talvez esteja mesmo fadado à mediocridade. E é bem aqui que eu reencontro minha companheira de banquetes.

     A rainha Confusão, filha-irmã de Dispersa (essa esposada por Caos), jamais se afasta do artista. Porque somos sempre meio irreais, esquizoides, psicóticos. Não se pinta a Capela Sistina com o "princípio de realidade" debaixo do braço; muito menos se escreve um Fausto ou uma Divina Comédia tendo o tédio do limite por companhia. Não. Definitivamente, não.

     Pois artistas são infantis, são mimados e noturnos. Podem até, vez por outra, tomar parte nas conversas e nas preocupações comezinhas, das bocas pequenas, mas nunca mergulham completamente no mundo do banal. Mantêm sempre o olhar voltado para o incrivelmente alto... Ou para o grotescamente baixo. E isso é o que de mais sincero e excelente um artista pode fazer. Pois ele pode ser tudo, menos comum.

       Todo verdadeiro artista tem o dever de ser-se. Sempre.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Pseudos...

 
Triste a nossa geração

Infantilizada

Por bruxinhos

E vampiros de meia pataca.
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pais e filhos

      

     A sociedade humana está, desde quando se tem notícia, baseada nos medos. Os medos são os verdadeiros grilhões da existência de nossa espécie. Quando nascemos, os temos em muito pouca ou quase nula quantidade; à medida em que crescemos fisicamente, na medida em que somos constantemente castrados por nosso meio social, bem como por suas instituições (Estado, Família, Religiões, Mercado de Trabalho, Escola), o volume e a predominância dos temores recrudescem gritantemente. E, assim, o medo se torna uma doença. E das mais contagiosas.



   Toda pessoa que já foi jovem (e que se lembre minimamente disso) sabe muito bem do que eu estou falando. É lamentável ter que lidar com as imposições feitas constantemente à nossa existência, sempre que procuramos fugir, um pouco que seja, aos padrões.


     Pais e mães neuróticos - também contaminados pela culpa e pelo medo, por genitores e instituições de épocas anteriores -, são agora, na maioria dos casos, os responsáveis diretos por podar as potencialidades e os desejos de seus filhos, futuros partícipes da sociedade e da vida em meio à ela. Em nome de uma suposta "manutenção da ordem", os filhos se tornam os depositários mais indefesos de todos os temores e carências de seus pais, as quais remontam à juventude desses ultimos, durante a qual (eles mesmos tendo sido vítimas da castração que se impõe ao sujeito em sociedade), não puderam realizar suas vontades, suas aspirações - isto é, colocar sua libido e sua energia de vida onde bem entendessem. Essa é, em meu ver, a pior violência que se comete contra o ser humano. É ela a maior causa de todos os conflitos que se apresentam ao nosso viver, por nos legar um nível de estresse e de insatisfação que não é experimentado por nenhuma outra espécie animal.


      Quando seu pai ou sua mãe lhe dizem que "desse jeito você não vai ser nada na vida, meu filho", caberia a você – a nós! - interpelá-lo(a) com as seguintes questões:



1) Pai/mãe, no caso de Deus existir, você, por acaso, é Ele?;



2) Em caso de resposta negativa (a mais provável), como pode você saber, com tanta certeza, o que me espera no futuro?;



3) O que é "ser algo" na vida? É ser o que você é, ou o que você, por medo, não conseguiu ser?;

4) Você me ama mesmo, ou eu sou apenas um investimento para você, do tipo em que, se você me dá algo (por exemplo, se paga minnha faculdade ou coisas quetais), eu tenho que lhe retornar algo em troca (uma carreira de sucesso, um casamento "feliz", netinhos queridos);



5) Por acaso você, não tendo conseguido realizar vários dos seus sonhos de vida quando era jovem - e tinha tempo, energia, disposição, motivação pessoal -, por acaso você agora quer lançar essas frustrações sobre mim e, de quebra, em um ato sádico, me agredir, vingando-se, em seu filho ("pequeno" agravante), das agressões que seus pais e seu meio social lhe fizeram?


      O acima exposto é uma espécie de suma da transmissão do conservadorismo social. Sim, porque, para evitar o movimento da roda da vida, é extremamente necessário que se incutam medos nos seres humanos. Medo de fracassar. Medo de ser abandonado. Medo de trabalhar com o que se gosta e, assim, "sofrer as consequências", ficar "pobre". Medo de ficar só, se não for casado formalmente, se não tiver filhos. Medo dos poderosos, de quem "tem nome". Medo de não ter uma casa para morar. Medo de passar fome. Medo de si mesmo e do outro. Medo de morrer. Medo de viver. Medo de amar. Medo de ser humano.


      Quantos medos... Medo... Medíocre.


      Pois isso é o que fazem os medos. Nos mantêm medíocres, ou seja, na média. Esse não é um argumento do tipo autoajuda. Não estou pedindo pra ninguém aqui "se superar", "vencer seus desafios"; aliás, nada mais medíocre, hoje em dia, do que pregar esses valores. Eu digo NÃO! aos mandamentos. Porque todos nós temos o direito de ser e de fazer o que quisermos, inclusive de desistir. Desistir dos padrões. Não buscar o conforto da vida burguesa. Esquecer das "necessidades" de classe média. Podemos ser mais do que isso. Podemos ter coragem, e mandar às favas aqueles que dizem nos amar, mas que apenas procuram nos prender, com coleiras feitas de notas de 100. Pois um pai, uma mãe um cônjuge ou um namorado(a) que apenas lhe dá ou lhe faz coisas esperando algo em troca, essas pessoa NÃO TE AMA. E é bom que (principalmente) pais e mães comecem a pensar muito bem nisso.


     Entendam, pais e mães.



    Seus filhos não são obrigados a escolher a profissão que vocês querem. Nem a morar onde e como vocês gostariam que eles morassem. Não são obrigados, também, a se relacionar com amigos e amores que sejam do agrado de vocês. Não precisam se castrar, evitando exercer seus desejos e suas vontades e orientações sexuais, sejam elas fruto de "opção", "genética", "educação" ou "fatores psicológicos" – ou, de qualquer outras coisa. Não é porque vocês creem em "Deus", ou em "Buda", ou em "Jesus", "Jeová", ou no "Deus Batata", que seus filhos também têm que crer. Etc., etc., etc...


      E tudo isso "apenas" por que? Porque, afinal, A VIDA É DELES, e não sua.


    Se você que é pai ou mãe (especialmente, mas também vale para amigos, amigas, esposas, maridos, namorados e namoradas) e não sabe como fazer isso, então, sinto muito lhe dizer, mas você também NÃO SABE AMAR.


    Porque amar, como disseram vários sábios da humanidade, é dar sem esperar receber nada em troca. Se, em nome da "felicidade" dele ("é para o seu próprio bem, meu filho", mas você talvez NUNCA tenha perguntado a ele ou ela se é isso mesmo que ele ou ela querem, não é mesmo?), você lhe submete às mais dolorosas humilhações, abandonos e desapontamentos (pense no que é xingar um filho, bater nele, dizer-lhe que "ele é uma decepção para você, pai ou mãe dedicado(a) que é), se você faz isso, como pai ou mãe ( ne verdade, como ser humano em geral), você está apenas fazendo o mal para o seu filho. E afastando-o de você.


      Quer ser pai? Quer ser mãe? Pratique, antes de tudo, o DESAPEGO. E saiba que filhos não são joguetes de seus bel-prazeres. Não. Eles são indivíduos humanos autônomos, dos quais você deverá cuidar, e aos quais você deverá orientar e apoiar, até o fim de sua vida. Do contrário, você estará agindo como um narcisista, que procura satisfação e "retorno" em tudo na vida, em nome apenas do próprio bem-estar.


      Se não estiver disposto a isso – ou seja, a se sacrificar em nome de outro ser -, faça um favor ao mundo: NÃO TENHA FILHOS. Assim, você estará contribuindo para que não aumente ainda mais o caos vigente na sociedade moderna, cuja causa principal é DESAMOR. Desamor esse, que tem começado cada vez mais cedo, no quarto, na cozinha, na sala de estar e na de jantar. Como diria Sting, "if you love somebody, set them free".