domingo, 31 de março de 2013

Agonizeagnose



E a vida?

A vida é mais

Mais do que fora antes

As almas e os corações apascentados,

No caos da calma que rodeia os infernos



Vigilantes de nós mesmos,

Tudo fará sentido

Mesmo a inconsequência

E os chorares doridos



Entre rastros de flor e de sobras

O perdão vos será votado

Pela transcendência que a vós i(r)mana

E mana

Até o Décimo Céu




Primo Motor




Antes que fôsseis algo,

Era o Nada

E a luz, aprisionada

Por mais de três mil séculos,

Disse "Amém"




O Fiat assim se demorou

Para que aprendêsseis, talvez,

Que toda explosão exige, antes,

Continência

Contenção

Concentração



Séculos e séculos se passaram

Com morte e labuta a prostrar esta raça

Entre fábulas e mitos

Imperadores e imperatrizes,

Religiões e ritos

Odisseias e heróis



Criastes lendas e panaceias

Ricos tecidos onde pudésseis vos lançar

Mas foram tantos, ainda que valorosos e ricos

Inebriantes,

Que todo o sentido se perdeu



Desde a Bastilha

Caem reis e rainhas

Guilhotinas

Estão sempre a decaptar certezas


O que fazer, então,

Diante deste eterno instante

Depois de Hegel e de Kant,

Ó, humanidade desterrada?



Vossa ciência foi o maior lampejo

De absurdos e de manejos

Do coração dos céus



Mas hoje, ao menos aos mais sensatos,

É dado saber

Que nos restam poucos fatos

Aqui na Terra

A conhecer



Vos espera apenas

O espaço ou o Nada

O retorno à luz aprisionada

Ao repouso eterno

Do sapientíssimo

Caos.