segunda-feira, 29 de julho de 2013

O papa humilde


       Bem, ao que parece, depois de uma semana de carnaval, a estratégia da alta cúpula do Vaticano deu muito certo. Ou alguém em sã consciência acha que estamos falando de "Deus" ou de "religião"? É sobre poder, meus caros, poder.


        Humildade é atravessar continentes com dinheiro no mais das vezes público, doado por pobres ou pessoas que nem têm condições de ajuizar acerca da história verdadeira da "Santa Sé"? Humildade é saber-se pontífice de uma das mais (quiçá a mais!) violentas e monopolistas instituições da história recente da humanidade, baseada que está em acúmulo de poder, hierarquias e segredos torpes, morte de hereges e acúmulo de bens e de terras? Tudo em nome de Deus, é claro. Humildade é desfilar - com vaidade e interesses ocultos, obviamente -, em meio a multidões, a mando dos altos cardinalatos católicos, sabendo-se partícipe e testa de ferro de um sistema mundial, no qual a religião institucional tem seu papel muito bem delimitado, qual seja, o de oferecer "conforto espiritual" às massas, enquanto os ricos se esbaldam com seu conforto material, conquistado – roubado – ao suor dos pobres?

        Os fatos já podem ser muito bem conhecidos hoje em dia. Dê um Google. E não me venha com essa de "ah, mas isso são os homens que fazem, a Igreja é muito maior", ou ainda, "ah, mas isso é passado". Meu filho, minha filha, segredinho pra vocês: TODA INSTITUIÇÃO É FEITA DE PESSOAS, e são elas as responsáveis diretas pelas barbaridades que se cometem no interior - ou por causa - de tais organizações. Segundo, a Igreja - as igrejas! - cometem atrocidades até hoje, como quando, no caso da católica, MANDA SEUS FIEIS NÃO USAREM CAMISINHA. HIV mandou beijos.

       O ser humano em nome de quem os católicos de agora falam, Jesus Cristo, se existiu, teria repudiado toda essa ladainha, chutando e chicoteando NOVAMENTE todos esses "falsos profetas", "fariseus" e "vendilhões do templo". Esse HOMEM, rústico e muito sábio, andava em vestes de algodão, linho, ou coisa que os valha, e dizia mesmo "não ter onde recostar sua cabeça". Ao contrário dos "lírios do campo", toda a hierarquia eclesiástica se preocupa e muito com o poder e "as coisas do mundo". Eu, que não sou religioso, e bastante agnóstico, cético mesmo, acho bem hipócrita da parte dessas pessoas esse tipo de vida e de atitude. Quer seguir a Cristo? Não busque o poder, muito menos as estruturas ligadas a ele. Saia das igrejas. 

          No mais, claro estava que não demoraria muito para que a Igreja Católica tomasse uma atitude frente ao avanço neopentecostal na América Latina e na África, as regiões ainda hoje mais pobres do globo. A escolha de um papa "carismático" e "humilde" como Francisco ("coincidentemente" de origem latinoamericana), cumpre esse papel de "(re)congraçamento do rebanho" católico.

      Assim, estamos diante da panaceia popular e da busca por poder, novamente. O problema real destes nossos tempos é o capitalismo, mas, na falta de sua resolução - de sua abolição -, vamos de 50 Pais-Nossos e 40 Ave-Marias, que tá tudo certo.

        Triste ter de viver num mundo em que se precisa (ainda!) de tantos símbolos e heróis, apenas para ser o básico, isto é, ser ético, consigo e com os outros. A religião faz as vezes de esconderijo, de "objeto transicional e substituto", para uma humanidade ainda infantil e narcísica, que precisa de um "papai" (do céu ou não, tanto faz...) para lhe guiar e dizer o que fazer ou não fazer. Não sei, mas quanto a mim, prefiro Sócrates, Platão, Aristóteles e Kant. Eles, ao menos, não me cagam regras, e não se metem na minha vida pessoal, como por exemplo, o modo como eu sinto prazer, as atitudes que tomo e que não prejudicam os outros, se eu acordo cedo ou tarde etc. 

        A dogmática é a mãe da estática. 

        Prefiro a liberdade e a agnose a toda e qualquer forma de religião. Não sei se Deus existe, mas se a resposta for "sim", estaremos cada vez mais longe dele, enquanto não aprendermos a caminhar com nossas próprias pernas. Ser livre é ser, também, responsável por seus atos. Ninguém precisa de um papa. Ainda mais esse, tão "humilde", que tira foto com o BOPE.

           E, agora, eu lhes pergunto: Jesus Cristo faria isso?




quarta-feira, 5 de junho de 2013

Hipermodernidade e Narcisismo

  
  2012, 2013... Foram os anos em que comecei a notar o nosso narcisismo hipermoderno. Mea culpa. Nossa culpa.

   Leituras de Freud, Bauman, Jung, Sennet e alguns outros, somadas a algumas reflexões, fizeram-me pensar sobre o problema maior de nossos tempos: o olhar-se apenas para si mesmo.

  Em projeções e idealizações (na e da realidade), deixamos de aproveitar aquilo que a vida nos oferece DE FATO, apenas tomando o real nas partes que nos interessam, com um modo de vida conveniente, sem comprometimento e, por isso mesmo, destrutivo.

  Segundo essa nossa concepção - equivocada -, pensamos sempre poder encontrar "algo melhor", seja esse algo um trabalho, uma amizade, um relacionamento afetivo, amoroso. Daí que, nessa sanha desenfreada em busca do "sempre mais e melhor", deixamos de viver a vida real - aquela em que muitos dias não serão mesmo tão bons, em que ônibus atrasa ou o namorado(a) está de mau humor.

  A perversão praticada por esse "amor líquido" (que não quer se enlaçar, mas apenas se conectar e se desconectar), como diria Bauman, é filha desse desejo de eterno gozo, em que o prazer e a realização do orgasmo (em suas várias formas) aparece como único e final objetivo da vida.

  Centrados apenas em nossos smartphones, em nossos egos e idealizadas expectativas, nada, NUNCA, poderá bastar. Acompanhando o ritmo do capital financeiro, nossa libido sempre quer, hoje em dia, "escolher a melhor opção" de investimento, o que nos torna somente pobres mercadores - de nós mesmo e do outro. E isso, é claro, jamais poderá ser amor.

  Enquanto não retomarmos o sentido do COMPROMETIMENTO - e das dificuldades que, SIM, sempre vêm com ele -, estaremos presos ao "pathos" eterno, ao gozo que não traz envolvimento ou profundidade. Continuaremos a ser infantis e superficiais, incapazes de amar, de colocar libido e dedicação em UM, em alguém ou em algo que faça a existência valer a pena.

 
 
Caso nos mantenhamos voltados para o espelho d'água, esse rio traiçoeiro nos vencerá, fazendo-nos vítimas desse, ainda hoje inconscientemente idolatrado, pobre Narciso.
 
 

domingo, 5 de maio de 2013

Conseguimos: matamos o Amor.

    
    O mundo de hoje não é dos amantes. Não é dos que precisam, dos que demandam, dos que choram. Não é dos que assumem fraquezas, dos que sentem falta, dos que se importam. Não. O mundo moderno não é dos que amam.

    Esse mundo é dos que recusam e dos que rejeitam. Dos que afirmam autossuficiência. Dos que gostam de bradar o tal do "se bastar". O mundo é negro e cinza. Um mundo sem laços e sem profundezas. É um mundo de efêmeras conexões, onde cínicos Narcisos procuram apenas a admiração de seus belos e ideais reflexos nos espelhos-d'água de suas secas almas. O mundo de hoje é triste, cheio de sucessos pessoais e fracassos coletivos, amorosos, conjugais.

        E eu ME OPONHO FRONTALMENTE a essa ética perversa do "bastar-se a si mesmo". Porque ela é anti-humana. Porque ela é destruidora. Porque ela não é real.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Atrozcidade


  cidade:

 atrocidade
 ator
     cidade
  torcida
         de
 atroz
      idade.





















domingo, 21 de abril de 2013

Prostitutas


 Em poucos meses, semanas, dias, já entendi toda a crônica da vida humana no capitalismo. E sei que é triste. Bem triste. Trabalhar, ter um dinheiro, ser escravo do mundo e da estética e da ética da massa, em troca de algumas moedas, um cartão de plástico, umas mínimas alegrias - cada vez mais fugazes e falsas -, tudo isso em troca de nossa VIDA.

          Eu e você, prostitutas do sistema, estamos perdendo nossas vidas, vendo dias e anos passarem a nossa frente, sem amor, sem oportunidade de sermos humanos, verdadeiros, reais. E isso apenas para podermos comer, sobreviver. Me sinto sufocado. Entediado. Quem pensa, e pensa muito como eu, deve mesmo sentir vontade de se matar, pelo menos umas três vezes por semana.

         Nada do que nesse mundo recebemos é compensador, pelo fato de que, o que estamos dando em troca - perdendo - é nosso tempo, nossa energia, nossa vida. Por coisas que não importam. Por mais dinheiro. Por um cargo superior. Por status. Por bens materiais. Por posições. Por poder. Por desrespeito. Por ganância. Por stress. Por mais trabalho. Por querermos passar por cima dos outros. Por desamor.

          Sim, porque POR AMOR É QUE NÃO É!

      Estou muito cansado de tudo isso, e acho que minha voz encontrará eco em muitos que, sinceramente, resolverem aqui se expor.

       Estamos perdendo nossas vidas, "correndo atrás" de coisas inúteis, deixando nossos sonhos, desejos, amores e vontades de lado - cada vez mais de lado -, em troca das esmolas do sistema. Lixo de vida. Merda de sociedade. Que alguém exploda tudo isso mesmo. Não aguento mais.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Artistas

     
    Parece que eu sempre soube que nada disso faria sentido. Sou um cara viciável. Eis que consumo a mim mesmo, em caracteres, megapixels, e maus caráteres. Dentre os quais sou apenas mais um, talvez até o mais hipócrita, o primogênito, o primeiro.

    Culpado de todo o meu ateísmo (até ele vacilante), e da completa falta de foco, minha amiga inseparável. Saímos sempre para jantar, eu e ela, como par atabalhoado. Noites sim, madrugadas não, podem-se ouvir risos sussurados ao nosso redor, aquela espécie de maledicência um tanto quanto furtiva, dita a canto de boca, sem que se possa determinar quem é o seu autor. Minha sina - a minha e de minha amiga Confusão - é ser vítima do escárnio social, sempre um tanto quanto rude, ainda que velado pela "misericórdia" de uma certa hipocrisia que se diz cristã.

   Certo é, porém, que não me encontro totalmente só e nem privilegiado por essa estranha condição, pois há por aí ao menos uma meia dúzia de amigos meus que sofrem o mesmo tormento.

    Chamamo-nos artistas, e, de fato, é isso que somos, em período integral, ainda que hipotequemos nossos sonhos, antes que nasçam os pores-do-sol. Ao badalar do sino de nossa Igreja, todos sabemos que é hora de nos consagrarmos, de devotarmos nossas vidas ao sacro ofício inteiro da Arte, tão logo nos dispamos da lida pelos meios de sobrevivência.

   Na vida dos grandes artistas, de grandes intelectuais e de pensadores, quase sempre há um período de vacas magras, e, muitas vezes, até de fome. Difícil conceber um van Gogh a passar necessidade, a sofrer por ter o estômago dolorosamente vazio. Mas isso ocorreu. Sabemos, porém, que nem só de pão vive o ser humano. Existir é mais. Para um artista, então, sempre é muito mais.

    Diante do fato de que nós, artistas, somos todos umas putas melancólicas, sempre meio embriagadas e recém-usadas, largadas ao canto de um bordel qualquer, podemos tomar consciência de nosso papel, do papel conservador ao qual todos nós seremos convidados a exercer, na pós-modernidade. Mas os artistas de verdade, autênticos, devem recusar tal carapuça, sob pena de, caso a ela sucumbam, tornarem-se caricaturas de si mesmos.

    Nisso que digo não há nada de novo, muito menos de peculiar à nossa tão esvaziada época. Pois sempre foi promíscua a relação entre artistas e pensadores, por um lado,  e detentores do poder, por outro.

   Michelângelo, Mozart, Maquiavel, Confúcio, Kant, Wagner, Voltaire - apenas para iniciar uma lista que seria imensa -, todos foram, uns mais, outros menos, alavancados ou sustentados por ricos e poderosos mecenas. Talvez porque seja mesmo muito difícil plantar e pescar de dia e, depois, criticar à noite, como queria Marx. O homem ominilateral talvez esteja mesmo fadado à mediocridade. E é bem aqui que eu reencontro minha companheira de banquetes.

     A rainha Confusão, filha-irmã de Dispersa (essa esposada por Caos), jamais se afasta do artista. Porque somos sempre meio irreais, esquizoides, psicóticos. Não se pinta a Capela Sistina com o "princípio de realidade" debaixo do braço; muito menos se escreve um Fausto ou uma Divina Comédia tendo o tédio do limite por companhia. Não. Definitivamente, não.

     Pois artistas são infantis, são mimados e noturnos. Podem até, vez por outra, tomar parte nas conversas e nas preocupações comezinhas, das bocas pequenas, mas nunca mergulham completamente no mundo do banal. Mantêm sempre o olhar voltado para o incrivelmente alto... Ou para o grotescamente baixo. E isso é o que de mais sincero e excelente um artista pode fazer. Pois ele pode ser tudo, menos comum.

       Todo verdadeiro artista tem o dever de ser-se. Sempre.


terça-feira, 2 de abril de 2013

Pseudos...

 
Triste a nossa geração

Infantilizada

Por bruxinhos

E vampiros de meia pataca.
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Pais e filhos

      

     A sociedade humana está, desde quando se tem notícia, baseada nos medos. Os medos são os verdadeiros grilhões da existência de nossa espécie. Quando nascemos, os temos em muito pouca ou quase nula quantidade; à medida em que crescemos fisicamente, na medida em que somos constantemente castrados por nosso meio social, bem como por suas instituições (Estado, Família, Religiões, Mercado de Trabalho, Escola), o volume e a predominância dos temores recrudescem gritantemente. E, assim, o medo se torna uma doença. E das mais contagiosas.



   Toda pessoa que já foi jovem (e que se lembre minimamente disso) sabe muito bem do que eu estou falando. É lamentável ter que lidar com as imposições feitas constantemente à nossa existência, sempre que procuramos fugir, um pouco que seja, aos padrões.


     Pais e mães neuróticos - também contaminados pela culpa e pelo medo, por genitores e instituições de épocas anteriores -, são agora, na maioria dos casos, os responsáveis diretos por podar as potencialidades e os desejos de seus filhos, futuros partícipes da sociedade e da vida em meio à ela. Em nome de uma suposta "manutenção da ordem", os filhos se tornam os depositários mais indefesos de todos os temores e carências de seus pais, as quais remontam à juventude desses ultimos, durante a qual (eles mesmos tendo sido vítimas da castração que se impõe ao sujeito em sociedade), não puderam realizar suas vontades, suas aspirações - isto é, colocar sua libido e sua energia de vida onde bem entendessem. Essa é, em meu ver, a pior violência que se comete contra o ser humano. É ela a maior causa de todos os conflitos que se apresentam ao nosso viver, por nos legar um nível de estresse e de insatisfação que não é experimentado por nenhuma outra espécie animal.


      Quando seu pai ou sua mãe lhe dizem que "desse jeito você não vai ser nada na vida, meu filho", caberia a você – a nós! - interpelá-lo(a) com as seguintes questões:



1) Pai/mãe, no caso de Deus existir, você, por acaso, é Ele?;



2) Em caso de resposta negativa (a mais provável), como pode você saber, com tanta certeza, o que me espera no futuro?;



3) O que é "ser algo" na vida? É ser o que você é, ou o que você, por medo, não conseguiu ser?;

4) Você me ama mesmo, ou eu sou apenas um investimento para você, do tipo em que, se você me dá algo (por exemplo, se paga minnha faculdade ou coisas quetais), eu tenho que lhe retornar algo em troca (uma carreira de sucesso, um casamento "feliz", netinhos queridos);



5) Por acaso você, não tendo conseguido realizar vários dos seus sonhos de vida quando era jovem - e tinha tempo, energia, disposição, motivação pessoal -, por acaso você agora quer lançar essas frustrações sobre mim e, de quebra, em um ato sádico, me agredir, vingando-se, em seu filho ("pequeno" agravante), das agressões que seus pais e seu meio social lhe fizeram?


      O acima exposto é uma espécie de suma da transmissão do conservadorismo social. Sim, porque, para evitar o movimento da roda da vida, é extremamente necessário que se incutam medos nos seres humanos. Medo de fracassar. Medo de ser abandonado. Medo de trabalhar com o que se gosta e, assim, "sofrer as consequências", ficar "pobre". Medo de ficar só, se não for casado formalmente, se não tiver filhos. Medo dos poderosos, de quem "tem nome". Medo de não ter uma casa para morar. Medo de passar fome. Medo de si mesmo e do outro. Medo de morrer. Medo de viver. Medo de amar. Medo de ser humano.


      Quantos medos... Medo... Medíocre.


      Pois isso é o que fazem os medos. Nos mantêm medíocres, ou seja, na média. Esse não é um argumento do tipo autoajuda. Não estou pedindo pra ninguém aqui "se superar", "vencer seus desafios"; aliás, nada mais medíocre, hoje em dia, do que pregar esses valores. Eu digo NÃO! aos mandamentos. Porque todos nós temos o direito de ser e de fazer o que quisermos, inclusive de desistir. Desistir dos padrões. Não buscar o conforto da vida burguesa. Esquecer das "necessidades" de classe média. Podemos ser mais do que isso. Podemos ter coragem, e mandar às favas aqueles que dizem nos amar, mas que apenas procuram nos prender, com coleiras feitas de notas de 100. Pois um pai, uma mãe um cônjuge ou um namorado(a) que apenas lhe dá ou lhe faz coisas esperando algo em troca, essas pessoa NÃO TE AMA. E é bom que (principalmente) pais e mães comecem a pensar muito bem nisso.


     Entendam, pais e mães.



    Seus filhos não são obrigados a escolher a profissão que vocês querem. Nem a morar onde e como vocês gostariam que eles morassem. Não são obrigados, também, a se relacionar com amigos e amores que sejam do agrado de vocês. Não precisam se castrar, evitando exercer seus desejos e suas vontades e orientações sexuais, sejam elas fruto de "opção", "genética", "educação" ou "fatores psicológicos" – ou, de qualquer outras coisa. Não é porque vocês creem em "Deus", ou em "Buda", ou em "Jesus", "Jeová", ou no "Deus Batata", que seus filhos também têm que crer. Etc., etc., etc...


      E tudo isso "apenas" por que? Porque, afinal, A VIDA É DELES, e não sua.


    Se você que é pai ou mãe (especialmente, mas também vale para amigos, amigas, esposas, maridos, namorados e namoradas) e não sabe como fazer isso, então, sinto muito lhe dizer, mas você também NÃO SABE AMAR.


    Porque amar, como disseram vários sábios da humanidade, é dar sem esperar receber nada em troca. Se, em nome da "felicidade" dele ("é para o seu próprio bem, meu filho", mas você talvez NUNCA tenha perguntado a ele ou ela se é isso mesmo que ele ou ela querem, não é mesmo?), você lhe submete às mais dolorosas humilhações, abandonos e desapontamentos (pense no que é xingar um filho, bater nele, dizer-lhe que "ele é uma decepção para você, pai ou mãe dedicado(a) que é), se você faz isso, como pai ou mãe ( ne verdade, como ser humano em geral), você está apenas fazendo o mal para o seu filho. E afastando-o de você.


      Quer ser pai? Quer ser mãe? Pratique, antes de tudo, o DESAPEGO. E saiba que filhos não são joguetes de seus bel-prazeres. Não. Eles são indivíduos humanos autônomos, dos quais você deverá cuidar, e aos quais você deverá orientar e apoiar, até o fim de sua vida. Do contrário, você estará agindo como um narcisista, que procura satisfação e "retorno" em tudo na vida, em nome apenas do próprio bem-estar.


      Se não estiver disposto a isso – ou seja, a se sacrificar em nome de outro ser -, faça um favor ao mundo: NÃO TENHA FILHOS. Assim, você estará contribuindo para que não aumente ainda mais o caos vigente na sociedade moderna, cuja causa principal é DESAMOR. Desamor esse, que tem começado cada vez mais cedo, no quarto, na cozinha, na sala de estar e na de jantar. Como diria Sting, "if you love somebody, set them free".


domingo, 31 de março de 2013

Agonizeagnose



E a vida?

A vida é mais

Mais do que fora antes

As almas e os corações apascentados,

No caos da calma que rodeia os infernos



Vigilantes de nós mesmos,

Tudo fará sentido

Mesmo a inconsequência

E os chorares doridos



Entre rastros de flor e de sobras

O perdão vos será votado

Pela transcendência que a vós i(r)mana

E mana

Até o Décimo Céu




Primo Motor




Antes que fôsseis algo,

Era o Nada

E a luz, aprisionada

Por mais de três mil séculos,

Disse "Amém"




O Fiat assim se demorou

Para que aprendêsseis, talvez,

Que toda explosão exige, antes,

Continência

Contenção

Concentração



Séculos e séculos se passaram

Com morte e labuta a prostrar esta raça

Entre fábulas e mitos

Imperadores e imperatrizes,

Religiões e ritos

Odisseias e heróis



Criastes lendas e panaceias

Ricos tecidos onde pudésseis vos lançar

Mas foram tantos, ainda que valorosos e ricos

Inebriantes,

Que todo o sentido se perdeu



Desde a Bastilha

Caem reis e rainhas

Guilhotinas

Estão sempre a decaptar certezas


O que fazer, então,

Diante deste eterno instante

Depois de Hegel e de Kant,

Ó, humanidade desterrada?



Vossa ciência foi o maior lampejo

De absurdos e de manejos

Do coração dos céus



Mas hoje, ao menos aos mais sensatos,

É dado saber

Que nos restam poucos fatos

Aqui na Terra

A conhecer



Vos espera apenas

O espaço ou o Nada

O retorno à luz aprisionada

Ao repouso eterno

Do sapientíssimo

Caos.


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Narcisos e Eros



No nosso tempo, as três idades foram feitas para serem esquecidas: o passado, o presente e o futuro. Não há nada na vida de hoje, diante do seu sabido jogo duro, que não seja presente, passado, ou futuro. A efemeridade dos instantes é cada vez mais o motivo que me faz duvidar dos esforços. Em 2013, ano calendário insignificante, nada mais parece ser eterno. Nunca foi, e isso é fato. Mas o pós-moderno anda me tirando o desejo. Queria ver o reflexo disso em algum amigo meu, em alguém que de fato se incomodasse. Meu inferno são mesmo os outros. Admito. O erótico, hoje, erra. Eros erra. Aliás, justo por isso, e por viver em nosso tempo, que é infinitamente narcísico e pragmático.


            Seres de si-mesmo, seres de ação. O irônico de tudo isso é - eu me pergunto -, afinal, como vocês conseguem ser Narcisos pragmáticos? Olhem, vejam bem, a história está cheia de pueri aeterni, eu mesmo quase que certamente sou um deles, mas vocês são esquizoides, e é isso que me assusta. Querem viver pro tudo? Então sejam Mozarts, Voltaires, Sades, Cazuzas... Não tenham rédeas, amarras, chutem os relógios e os planejamentos, as promessas – sempre impossivelmente éticas! – de final de ano. 


            Em 2013 (ano-calendário metáfora; se fosse 2014, tanto faria...), nada é mais trivial do que desconectar. Bauman foi nosso arauto. Em Amor líquido, já nos mostrava, lá em meados da década de 2000, o que nos aconteceria a nós, que tentamos ser Babel e também Sodoma e Gomorra, “tudo-ao-mesmo-tempo-agora”, na agilidade de uma telinha azul do Livro de Faces. O ciclo é sempre o mesmo, seja com os consumíveis smartphones, com os artistas e as celebridades pop ou com os relacionamentos. A gente se conecta, se usa, se gasta, se desgasta, se cansa do “outro”, e depois joga fora. Desconecta. Descarta. Aliás, não os relacionamentos. Esses nós não descartamos completamente. Colocamos no “cloud”, na nuvem virtual de nossas vidas, salvamos ou estocamos em algum lugar não incômodo, de onde possamos “recuperá-los” em tempos de penúria afetiva e de desterro emocional. Narciso morreu se olhando no espelho d’água de um rio; nós morreremos olhando para uma tela de cristal... Líquido...


            Voltando à “Babel + Sodoma e Gomorra”. Ora, vejamos, o que nós queremos? O que vocês querem? Tocar a face de Deus, do Olimpo (ou de qualquer coisa que se poste sobre as cabeças da humanidade ocidental [pós]moderna e [pós]kantiana), e, ao mesmo tempo, descer ao inferno? Servir a Deus e a Mamon? Queremos – vocês querem!? – as epifanias e as bacanais unidas? Querem ser imortais como os deuses, e ainda assim, serem completo gozo e prazer? Querem uma lama limpa, dermatologicamente testada? Ora, isso não é plausível! As dores dos deuses e dos santos são eternas; são míticas, arquetípicas, não podem acabar. Já os prazeres, esses sempre foram efêmeros, e mesmo os olímpicos precisavam, de tempos em tempos, se nutrir de néctar e de ambrosia, a fim de recuperarem sua potência divina. 


O simbólico de tudo isso está guardado na simplicidade da compreensão do tal “caminho do meio”. Mas os narcisistas e os “homens de ação,” como diria Freud, não sabem esperar: eles querem “tudo dentro”, ou “tudo (de) fora”. E querem agora, antes que o agora acabe. Ué, mas já acabou. E agora de novo. E de novo.... E de novo... De novo... Novo.


            “O fogo, em seu avanço, julgará e condenará todas as coisas”. Heráclito e Buda seriam pós-modernos. É por isso que digo, meu ateísmo esotérico considera as coisas em espirais. Sempre há um retorno, sempre depois do fogo. A sabedoria que podemos adquirir advém da aceitação de limites. Os limites negados pelos Narcisos made in 2013. 


Há uma quantidade inescrutável de conhecimento e de cultura à nossa disposição hoje em dia, e ela está por aí, na nuvem virtual. Isso é ótimo! Isso é péssimo... Quase não dá para ser profundo, se você pode (ou melhor, você subliminarmente deve ler um livro [ou, o que é pior, um best-seller]) por mês. Para que ter acesso a milhões de músicas? Não adianta, não serve, não dá tempo. E, a face enganadora de todo esse processo é que, como diz o adágio citado por Andrew Keen em O culto do amador (uma descrição muito interessante de nossa [des]cultura pós-moderna, baseada na ascensão da web 2.0), “um pouco de conhecimento é algo perigoso”. Em 2013, você só precisa saber “um pouco de tudo”, conhecer “um pouco de cada pessoa”, conectar-se, absorver, desconectar-se. E isso, para nós, é o bastante.


Não faço aqui um diagnóstico. No máximo, é um exercício de anamnese, em que tento trazer de novo à nossa memória o caos social esquizofrênico que ainda estamos gestando – e do qual fazemos questão de nos esquecer. Não sou e nunca fui de colocar minhas candeias sob alqueires, por isso volto a bradar: prestem atenção às relações humanas. São elas que constroem nossos laços, e a vida deve ser feita de uma boa quantidade deles – de bons laços - para que tenha sentido. 


Eros é a força que conecta tudo neste mundo. Os seres humanos, as bestas, os imortais. Com ele, é até mesmo possível ser simultaneamente anjo, humano e fera. Sem ele, não se pode sequer ser mortal. Não se pode ser humano.



sábado, 23 de fevereiro de 2013

A direita sabe o que é a FOME?

    Nas eleições do ano passado, para prefeito, tinha me decidido pela anarquia. Contra a corrupção e todos os desmandos da política nacional, havia abandonado minha postura esquerdista, desiludido com o fato de que até o PT houvera se lambuzado nos banquetes do poder. Votei nulo. Esse ano, depois de muito pensar e, em vista das circunstâncias, me declaro, novamente, um ser humano de esquerda.

    Tendo em vista todos os "mimimis" da classe média (paulistana, no meu caso; a pior delas, na minha opinião), sou OBRIGADO, como HUMANISTA, a me levantar contra as palavras e os pensamentos ensimesmados e narcisistas de quem sempre teve o que comer, de quem sempre, como diz Marcelo Camelo, "acorda já deitado", e que, ainda assim, parece NÃO TER UM PINGO DE COMPAIXÃO.

      Hipócritas! Estudantes de escolas particulares, nutridos pelo leite com pêra do papai e da mamãe (eu também fui, mas não tenho o pensamento egoísta como o de vocês), não conhecem dez por cento da REALIDADE dura de quem precisa se matar de trabalhar para não MORRER DE FOME, de quem às vezes nem forças tem - por estar FAMINTO - para sequer poder pensar no que fazer da vida; esses hipócritas são contra os programas do governo que ajudam aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades que eles. E por quê? Porque têm medo. São narcisistas inseguros. Querem o "exclusivismo" dos aeroportos e das seções de frios e de iogurtes dos supermercados, para poderem continuar em sua mediocridade de classe média sempre medrosa, sempre desejante. Em sua maioria, os "antipobres" são homens e mulheres brancos, heterossexuais, graduados ou graduandos em nível superior, e que não suportam a ideia de ver UM NEGRO, UM POBRE, OU UM HOMOSSEXUAL dividindo o país (antes, de sua "propriedade exclusiva") com eles. São egoístas; Narcisos, como já disse. Freud mandou um beijo e um abraço.

     Em virtude desse tipo de ser humano, declaro aqui o meu retorno RADICAL às posturas políticas e econômicas de esquerda, uma vez que eu prefiro aguentar a corrupção do PT, a ter que ver os portavozes dos coxinhas paulistanos, as viúvas da Ditadura de 1964, no poder. Votarei na Dilma, no Lula, para presidente. No candidato petista a governador de São Paulo. Entrei, novamente, na briga contra os desumanos. Porque esse é a VERDADEIRA diferença entre ser de esquerda ou de direita. Em geral, os de direita são individualistas, egoístas; os de esquerda, HUMANISTAS, solidários. Sinto muito, meus caros "liberais", "ultra-liberais" e quetais. Vocês SÃO assim. Não dão esmola, não abaixam o vidro do carro, não olham para o mendigo, para o gari. Têm medo da vida, pois não mais enxergam a HUMANIDADE, nem em si mesmos, nem nos outros - seus IGUAIS. Lamento por vocês. Terão, em mim, todo o respeito, mas, também, toda a OPOSIÇÃO de um adversário consciente, incômodo e questionador.

Viva Lula! Viva Dilma! Viva o Fome Zero! Viva o Bolsa Família! Viva a esquerda na América Latina!

Porque não se faz política com o estômago vazio.
 Aliás, não se faz nada. Nem mesmo ler a Veja ou Adam Smith. 
 Simples assim.