domingo, 16 de dezembro de 2012

Acabou. Chorare.

      O mundo acabou. Dias de dúvidas e incertezas. Eu surfo nessa onda. Pra você que tá aí, curtindo o futebol, e, assim, posso concluir que, certamente, ainda não entendeu nada das galáxias. O todo de antes agora é apenas pouco. Sorrisos e alegrias do século XX não mais comprarão nossa comida. Control F.

     Buscar saídas novas em em texto antigo já é quase assinar um atestado de burrice crônica. Em meio a "instituições-zumbi", como bem postulou Ulrich Beck, todos parecemos saber da decrepitude do antigo. As formas vazias de nosso eidos secular já não se fazem mais compreender - não servem para explicar ou estruturar as coisas. Sem apelos, deveríamos lançar as últimas bombas ideológicas sobre as moribundas permanências da civilização moderna, inaugurando o novo e amplo deserto do "NADA-século XXI", de onde poderíamos partir mais leves, sem bagagens, para a inauguração de novas essências. Isso seria, de fato, um alívio.

      Pessoas como eu, que enxergaram antes, são prisioneiras de antigos ferros de marcar gado, sempre e diuturnamente aquecidos nas brasas de um conservadorismo que deseja sempre "conservar seus defuntos", ainda que eles estejam já a feder - e há muito tempo. Eu me canso mais por ter que recalcar minhas neuroses, do que por ter que ganhar um pouco de dinheiro ou ir comprar pão na esquina. Tampar panelas de pressão nunca foi fácil; ainda mais quando já estão quentes. Eu cansei disso. A pressão é demasiada. Abro as panelas, então.

        E quem me acompanhará, quem fará o mesmo?

       Precisamos mesmo andar cinco horas por dia em latas de metal para empregar nosso trabalho útil? Achei que a "world wide web" e a fibra ótica já tinham dado conta disso. Distâncias. Vencer distâncias físicas já é possível, em termos da pragmática do trabalho - e até mesmo do capital. Mas parece que os grandes "se esqueceram" disso e, de fato, apenas propagandeiam nossas possibilidades de RELACIONAMENTO virtual, e não de trabalho. Deveríamos trabalhar virtualmente, e nos relacionar REALMENTE. É pra isso que serve a tecnologia, seus "yuppies" de merda! Que tal acordarmos? 2012, lembra?

     Fim de mundo que nada. Fim da reta para as crenças. Eu parei com isso, com minhas últimas drogas, Apostasiei os fatos do irreal, e agora sou um místico agnóstico. Mas minha unio mystica é comigo mesmo, e com o desespero que sinto por todos nós. Nossas touchscreens não vão nos salvar. Acabou o emprego. Acabou a família. Acabou a carteira assinada, a confortável CLT. Acabou a previdência - a Providência. A vida é uma só e, depois dela, "Acabou Chorare". Participo do Mistério do Planeta.

     Mas o meu mistério é saber como VIVER SEM MISTÉRIOS. 2012 é isso. Encontrar razões nos escombros da desilusão. Bem vindo ao mundo. Ou, ao que sobrará dele, depois que você acordar. Paz, amor e endorfina. Você vai precisar.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Poderia ser você


- Você gosta da sua vida?

- Ah, claro que eu gosto! A vida é maravilhosa!

- E se eu lhe dissesse que a sua vida é triste, falsa e medíocre?

- Bem, aí eu só poderia dizer que você é um cara chato e amargo, e que, além disso, está me agredindo, por não respeitar as minhas vontades e o meu modo de ser e de pensar.

- Hum. Ok. E se, de repente, eu lhe dissesse que pessoas como eu são impedidas de terem a sua própria liberdade e, também, de realizarem as suas próprias vontades, de viver uma vida livre e diferente - tudo isso por causa de pessoas como você, que concordam com uma existência limitada e castradora? Se eu lhe dissesse isso, o que você diria?

- Ora, eu diria que AS COISAS SEMPRE FORAM ASSIM, E QUE ESSE É O DESEJO DA GRANDE MAIORIA DE NÓS. Também diria para você se distrair um pouco mais, e arrumar um emprego que lhe satisfizesse, que lhe fizesse feliz.

- E se eu lhe dissesse que, para mim, tudo isso é muito difícil, que eu não sou talhado para as coisas desse mundo?

- Aí, eu lhe diria, SINTO MUITO, o mundo moderno foi feito para maiorias, e não para indivíduos. Agora, será que você pode voltar ao trabalho?

- Claro. Sim senhor.

Bom dia, chefe!

Bom, como eu sou um rapazote que aprende as coisas bem rápido, mesmo após somente três meses de capitalismo selvagem, percebi que, wow, eu estava certo em TUDO aquilo que falava sobre o mundo do trabalho, do emprego, enfim, do sistema. Vejamos:

- a maior parte dos chefes é desqualificada para estar ali; quase sempre, são bem "senso-comum", e não têm condições de cuidar nem da própria vida (o que
se dirá, então, da vida e do trabalho alheio);

- somos apenas NÚMEROS em uma empresa, e isso basta, para quem manda;

- Marx estava, quanto a isso, certo até o talo: os donos de uma empresa nunca vão querer ganhar menos; se estiverem ameaçados de perder 1 CENTAVO QUE SEJA DE SEUS LUCROS, haverá o famoso "corte de custos" (mesmo que o dono de uma dada empresa ganhe, por exemplo, a bagatela de 100 MIL REAIS por mês);

- "corte de custos" SEMPRE significa: "AH, VEJA BEM, EU SEI QUE VOCÊ TEM FILHOS PRA CRIAR, DESPESAS PRA PAGAR, MAS EU NÃO POSSO FICAR SEM MEU CHAMPAGNE. NÃO É NADA PESSOAL";

- o mundo do emprego é DESUMANO E HIPÓCRITA; se puder, fique LONGE dele (beeeem longe);

- um salário, qualquer que seja, NÃO PAGA A HUMILHAÇÃO A QUE TODOS NÓS TEMOS DE NOS SUJEITAR EM TROCA DELE, ABRINDO MÃO DE SER QUEM REALMENTE SOMOS, PARA QUE UM OUTRO SER HUMANO (geralmente um LIXO de gente) SE TORNE SENHOR DE NOSSO TEMPO, DE NOSSAS MENTES E DE NOSSOS CORPOS.


2012. O ato final da decadência da civilização ocidental. Eu cansei. E você?

 Aliás... Já deu bom dia ao seu chefe hoje?